Projetos Recentes

Estão são alguns dos projetos conduzidos pela D.D Consultoria nos últimos meses. Os nomes dos clientes não podem ser revelados por conta da cláusula de sigilo presente em todos os contratos de prestação de serviços de consultoria

  1. Injetora de plástico: empresa com projeto de expansão com foco na implantação de uma nova unidade no Estado de São Paulo. Foi desenvolvido o estudo de mercado, definição da estratégia de entrada e recomendação de portfolio de produtos
  2. Operadora de charter náutico: start up visando introduzir no mercado brasileiro uma operação profissional de charter de pequenas embarcações de recreação. Para este grupo investidor foi conduzido o benchmark internacional, desenhado o modelo operacional e de negócios mais consistente, definida a estratégia de entrada e posicionamento da marca, realizadas as projeções financeiras e preparado o plano de lançamento 
  3. Escola de Idiomas: para uma das maiores redes de ensino de idiomas do país foi ministrado, pela quinta vez consecutiva, o seminário de formação de gestores de primeiro nível, com foco em pensamento e planejamento estratégico
  4. Fabricante de agroquímicos: para um player internacional muito relevante no setor, foram conduzidos, pela terceira vez consecutiva, os debates para criação da agenda estratégica do ano. 
  5. Fornecedora de lâmpadas LED: para uma importante trading brasileira, foi desenvolvida sua estratégia de operação no mercado de lâmpadas LED, principalmente no braço de projetos e prestação de serviços aos segmentos comercial e industrial de mercado
  6. Vending Machines: para uma fabricante de vending machines foi criada uma estratégia ambiciosa de lançamento no mercado brasileiro de mini-lojas completas de auto-atendimento, com operação 24 x 7 com baixíssima interferência humana

A D.D Consultoria de Negócios é uma butique de consultoria voltada para assuntos gerenciais e estratégicos com 19 anos de experiência no mercado brasileiro. Nossa carteira de clientes inclui empresas de grande e médio portes, em todo o país. Estamos localizados em São Paulo e temos escritórios parceiros em Recife, Salvador e Ribeirão Preto.

Acolhimento

A D.D Consultoria sempre deu bastante atenção às empresas de médio porte, que são os pilares da economia brasileira. E depois que criamos a rede de escritórios parceiros em todo o país, ficou ainda mais claro que nosso DNA é ajudar este perfil de empresa a superar seus muitos desafios

A experiência vivida deu origem a uma metodologia de trabalho que batizamos de “Acolhimento”. Esse nome não é gratuito. Ao invés do modelo consultivo tradicional, que estampa um monte de problemas na frente do empresário, nós procuramos criar um clima de tranquilidade e criatividade, acolhendo e fazendo frutificar as boas ideias. Dessa forma vamos conduzindo a empresa para o rumo certo e aperfeiçoando sua gestão.

O pressuposto da metodologia é que as empresas de médio porte possuem grandes qualidades intrínsecas. Porque para sobreviver no Brasil, tendo porte médio, precisa ser muito bom. Empresas grandes possuem alguns graus de controle sobre seus mercados, canais de distribuição e fornecedores, além de terem acesso a capitais financeiros mais baratos. A empresa de médio porte sofre pressão de todos os lados

Quadro 1

Além dos problemas puramente gerenciais, o empresário também convive com dúvidas sobre sucessão, governança, futuro da empresa e, quase sempre, uma auto-crítica sobre suas qualidades como gestor. 

A metodologia Acolhimento se organiza em 4 programas de ação, com objetivos de somar experiências, equacionar questões pessoais, familiares e profissionais, ampliar laços, envolver a equipe, facilitar a comunicação em todos os níveis, aperfeiçoar a empresa, unir pessoas e encontrar soluções para os problemas existentes:

Quadro 2Personal Board ou Conselheiro Pessoal: diferentemente de um conselho formal, é a disponibilização de tempo de profissionais com larga experiência para o atendimento das necessidades específicas do acionista, em formato de aconselhamento pessoal e corporativo. Essa disponibilização se dá de duas formas: (1) corporativa: a partir de um calendário de encontros que tratam especificamente de temas de interesse da empresa e (2) pessoais: encontros individuais com o empresário para discutir questões de qualquer natureza que ele queira partilhar com um conselheiro experiente e ouvir uma opinião externa. 

O conselheiro pessoal é o módulo mais importante e o grande diferencial da metodologia ACOLHIMENTO

Programa Avançar: composto por iniciativas direcionadas para o empresário, seus herdeiros, sucessores e potenciais sócios. Tem caráter gerencial e visa, dentre outros objetivos, consolidar conhecimentos, ampliar o domínio de ferramentas gerenciais e também aumentar a interação com pares igualmente bem-sucedidos. Pode envolver visitas monitoradas de alto nível junto a empreendimentos similares para troca de experiências com outros empresários, participação em seminários recomendados, visitas de benchmark a empresas que sejam referência de boa gestão, etc. 

Programa Novo Pensar: composto por Iniciativas direcionadas para o grupo de colaboradores ou futuros gestores do negócio. O foco está no domínio de técnicas gerenciais mais avançadas e no intercâmbio de informação e experiências. Pode envolver mentoração, treinamento in-house para desenvolvimento de habilidades gerenciais e de liderança, visitas técnicas de benchmark

Programa Gestão: intervenções pontuais de consultoria, desenhadas caso a caso, com o objetivo de agregar experiência e senioridade na correção de eventuais problemas organizacionais, processuais ou gerenciais que ainda perdurem

Os benefícios que vem sendo constatados com a aplicação da metodologia são:

  • conjugar o suporte pessoal ao suporte corporativo, ampliando substancialmente as bases de contribuição e colaboração
  • agregar experiências de vida e não apenas técnicas de gestão
  • ser modularizado e amplamente customizável. 
  • ter custo muito acessível
  • permitir uma organização de projeto tão flexível que acomoda todo tipo de restrição ou imprevisibilidade na disponibilidade de tempo do empresário
  • pode ser interrompido ou executado por etapas ou parcialmente

A D.D Consultoria de Negócios é uma butique de consultoria voltada para assuntos gerenciais e estratégicos com 19 anos de experiência no mercado brasileiro. Nossa carteira de clientes inclui empresas de grande e médio portes, em todo o país. Estamos localizados em São Paulo e temos escritórios parceiros em Recife, Salvador e Ribeirão Preto.

O bacalhau do Malliani

Este artigo foi publicado originalmente no caderno de negócios do jornal O Estado de São Paulo, em agosto de 1990. A história é verídica e as conclusões ainda válidas, mesmo tendo-se passado quase um quarto de século. Algumas modificações menores no texto foram feitas para ajustá-lo ao formato do blog


Viajando a negócios pelo interior de São Paulo, um grupo de consultores deteve-se para um rápido almoço. A cidade escolhida ficava exatamente na metade do percurso que precisava ser coberto naquele dia. Atendendo a indicações dos habitantes locais, os quatro consultores dirigiram-se a um restaurante situado nas proximidades da praça principal.

restaurante2À sua entrada, um luminoso anunciava as especialidades da casa: churrasco, frango grelhado e bacalhau. O bacalhau despertou imediatamente o interesse do mais novo do grupo, jovem engenheiro recém-chegado dos EUA. Informou o maitre que o bacalhau estava ótimo, fresquinho e, fantástica coincidência, era o prato que mais rapidamente poderia ser servido. Sendo pré-cozido, em 15 minutos ele já estaria pronto para vir à mesa.

O segundo consultor, preocupado com o eventual desperdício de comida que poderia ocorrer se cada um pedisse um prato diferente, perguntou se a porção de bacalhau dava para dois. Ótimo, ela dava. O terceiro consultor, chefe do grupo, preocupado em reduzir o custo financeiro do almoço (claro), quis saber se a porção poderia satisfazer a três pessoas. O maitre olhou cuidadosamente para os seus mais de 90 quilos e negou categoricamente a possibilidade.

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O quarto consultor queria frango grelhado. Tudo bem informou o maitre, levemente impaciente, só que demoraria cerca de meia hora para ser preparado. Criou-se o impasse. Três pessoas optavam pelo bacalhau. A última pensava no frango. Se pedissem duas porções de bacalhau e uma de frango a conta ficaria salgada e haveria desperdício de comida. Forçar o chefe a mudar seu pedido nunca foi boa política. Pedir os dois pratos também retardaria o almoço em pelo menos quinze minutos.

fish-dinner_bodyCondescendente, o quarto consultor anuiu em comer bacalhau também e duas porções foram pedidas. Quarenta e cinco minutos depois foi servido um escuro, mal-cheiroso e engordurado bacalhau, certamente o pior de todos os que aquelas pessoas já tiveram a oportunidade de experimentar.

Lições da história:

  • As aparências enganam
  • Tomar decisões estratégicas (e escolher o alimento é sempre uma decisão de natureza estratégica) baseado em aparências ou informações superficiais é totalmente desaconselhável. O risco de estar-se fazendo a opção errada é enorme
  • Um conjunto de decisões corretas e racionais tomadas a partir de uma primeira, errada, dificilmente conduzirá a resultados finais positivos. O efeito mais provável não é a correção do erro mas sim sua ampliação, que poderá até redundar em catástrofes (uma disenteria, por exemplo)
  • Mesmo que você não tenha forma de obter informações que lhe permita escolher acertadamente, procure evidências que o auxiliem na tomada de decisões. Se os consultores estivessem alertas teriam percebido que eram os únicos clientes do local, que as garrafas de vinho nas prateleiras estavam cobertas de pó e que a funerária da cidade ocupava a casa em frente ao restaurante
  • Por fim, desconfie de quem se diz especialista em tudo. Um mestre churrasqueiro certamente terá dificuldades em preparar um bom bacalhau ao forno.

Em tempo: o título deste artigo é uma homenagem ao principal protagonista da história, jovem de promissora carreira em consultoria mas a quem não se deve pedir conselhos na hora de escolher pratos em restaurantes desconhecidos.

A D.D Consultoria de Negócios é uma butique de consultoria voltada para assuntos gerenciais e estratégicos com 19 anos de experiência no mercado brasileiro. Nossa carteira de clientes inclui empresas de grande e médio portes, em todo o país. Estamos localizados em São Paulo e temos escritórios parceiros em Recife, Salvador e Ribeirão Preto.

Foi-se a Copa… vem as eleições

Este tem sido um ano conturbado para a atividade econômica e os negócios em geral. O primeiro semestre trouxe consigo alguns indicadores de fragilidade econômica: inflação ascendente, deficit em corrente corrente, deficit na balança comercial, enfraquecimento no consumo (imóveis, automóveis, etc) e o fatídico aumento na arrecadação tributária em todos os niveis, já que as despesas públicas não param de se expandir.

2015-390x221A Copa foi uma grande festa mas que trouxe consigo a paralisia da atividade econômica em função dos feriados decretados para viabilizar o transporte urbano em dias de jogos, dos jogos da seleção e da tendência do país se focar na festa e esquecer do resto. Houve encolhimento real da atividade econômica entre junho e julho. Junta tudo, o que temos é uma economia em decadência, um segundo semestre prejudicado pelas eleições presidenciais e a certeza de que, ganhe quem ganhar, vem aí um pacotão de ajuste no início do próximo ano

Pacotes de ajuste podem ser feitos via corte de despesas ou aumento de impostos. O Brasil só fez corte de despesas no governo FHC. uma medida de extrema utilidade que o governo Lula se encarregou não apenas de reverter como também de ampliar as despesas substancialmente

2015Cortar despesas é a medida lógica. Primeiro porque existem excessos evidentes no governo federal (para que 39 ministérios?). Segundo, porque o país bateu no limite do seu recolhimento fiscal. A carga tributária já é de 37% do PIB. Aumentá-la ainda mais significa recolher da sociedade um capital que pode ser direcionado ao consumo ou investimento. Terceiro porque corte de impostos tem impacto imediato na alavancagem da economia. Boa parte da redução de imposto acaba direcionado ao consumo.

O problema do próximo governo é que não haverá esse corte de despesas. Se Dilma ganhar, a ideologia petista de estado inchado e dominante que nos trouxe até a situação atual continuará ditando as regras administrativas. Se Aécio ganhar, qualquer corte nas despesas federais acarretará o boicote do funcionalismo público, que largamente apoia o partido governista.

Então o que teremos em janeiro serão algumas medidas retóricas de corte de despesas e um belo aumento de impostos. Há uma grande possibilidade do país entrar em recessão em 2015, que trará consigo turbulência nas ruas

086O cenário para o próximo ano sugere ao empresariado muita cautela, foco no caixa, redução de endividamento e postergação de todos os investimentos que não sejam fundamentais à manutenção do negócio. Os primeiros seis meses de 2015 dirão o que acontecerá nos anos seguintes. Seja Dilma reeleita, seja um governo de oposição tomando seu lugar, será no primeiro semestre de 2015 que os rumos futuros do país serão determinados.

Por enquanto, aproveite o que ainda resta de 2014 para melhorar sua posição de caixa e alongar (ou reduzir, se possível) seus passivos.

A D.D Consultoria de Negócios é uma butique de consultoria voltada para assuntos gerenciais e estratégicos com 19 anos de experiência no mercado brasileiro. Nossa carteira de clientes inclui empresas de grande e médio portes, em todo o país. Estamos localizados em São Paulo e temos escritórios parceiros em Recife, Salvador e Ribeirão Preto.

A Copa acabou. Viva a Copa

Concorde-se ou não com o dinheiro investido na realização da Copa do Mundo, o fato é que nunca o mundo falou tanto do Brasil quanto agora. E falou bem. Os estrangeiros não tiveram como notar alguns dos problemas importantes que afetam a vida dos brasileiros, como saúde e educação. A segurança foi garantida por um mega aparato militar-policial que nos trouxe uma tranquilidade que não vivemos cotidianamente.  Os aeroportos aguentaram o fluxo de turistas porque o país viveu uma espécie de feriado de 30 dias, com a substancial redução das atividades empresariais. E o trânsito foi administrado com feriados, rodízios prolongados e coisas do gênero.

2014_FIFA_WorldCup_Homepage_SixWaysToWin_SmallPode ser que os estrangeiros não tenham sentido na pele as nossas dificuldades de vida mas o fato é que milhares de jornalistas publicaram relatos e reviews muito elogiosos ao país. É uma surpresa bem vinda a todos nós e nos coloca a questão do impacto de toda essa exposição positiva do produto “Brasil” no mundo.

Há pelos menos 3 tipos de impactos que se podem antever, independentemente de qualquer ação governamental:

1. O mais imediato é um aumento do fluxo turístico internacional ao país no próximo verão. Esse fenômeno tem potencial para consolidar um novo patamar de visitantes estrangeiros. Nos dias atuais recebemos 6,4 milhões de turistas de fora. Nos EUA são 67 milhões. Se aumentar para 10 milhões o número de turistas estrangeiros, estaremos dando um enorme salto quantitativo e, ainda assim, mal arranhando o potencial do país neste setor.

f4079d82-38ec-4366-91e3-b70a33717e01-460x2762. Um segundo impacto é a melhoria na percepção do país como nação importante do mundo. O Brasil sempre teve presença tímida na midia internacional. Os eventos que davam manchete eram quase sempre os negativos: violência, corrupção, catástrofes (como aquele da casa noturna que se incendiou no Rio Grande do Sul), dilapidação da floresta amazônica, etc.Se alguma coisa aparecia de positivo era o carnaval. A Copa revelou ao mundo um monte de outras facetas positivas do país, desde a diversidade cultural até a riqueza culinária, o acervo arquitetônico, as diferenças regionais, outros biossistemas, etc. Devem decorrer o aumento da boa vontade das pessoas e um melhor julgamento do país como nação.

3. O terceiro impacto é econômico. Na midia de negócios o país é historicamente mostrado como vivendo em ciclos curtos: para cada momento em que ele demonstra estar crescendo e se tornando uma segunda China vem uma fase em que o ciclo se esgota prematuramente e o Brasil retroage novamente para taxas mediocres de crescimento justificadas pelas velhas razões de falta de investimento em educação, infra-estrutura e tecnologia. O Brasil tem sido jocosamente comparado na midia de negócios e nos relatórios reservados de consultorias e bancos de investimento ao vôo da galinha: ela bate as asas, faz o maior estardalhaço, parece que vai decolar para um voo épico mas tudo o que acontece é um pequeno salto para a frente e depois tudo volta ao pouco ambicioso ciscar no chão. É dificil avaliar quanto a Copa poderá estimular investimentos no país mas uma melhor percepção generalizada sobre o Brasil só pode contribuir positivamente para essa propensão

0O governo pode fazer a sua parte reduzindo burocracias, aumento investimentos em infra-estrutura (no mínimo completando as centenas de obras que estão paralisadas ou em ritmo lento), apoiando o turismo e criando uma visão de país de longo prazo, que é diferente de uma visão partidária. No Brasil não temos projeto de país. Temos projetos de poder dos vários partidos. Talvez a nova exposição do país e a mobilização popular que vem aumentando sistematicamente nos últimos anos nos ajudem a criar essa nova visão. E certamente contamos com a simpatia do mundo agora

A D.D Consultoria de Negócios é uma butique de consultoria voltada para assuntos gerenciais e estratégicos com 19 anos de experiência no mercado brasileiro. Nossa carteira de clientes inclui empresas de grande e médio portes, em todo o país. Estamos localizados em São Paulo e temos escritórios parceiros em Recife, Salvador e Ribeirão Preto.

O Bairrismo e a empresa média

Bairrismo conta nos negócios? A pergunta pode parecer boba mas a resposta é ainda mais surpreendente: conta, sim !!!

Este é um problema menos afeito ao empresário e mais ao investidor. Empresários não se preocupam muito com fronteiras. Eles se adaptam, ajustam suas empresas à cultura e linguajar locais, procuram respeitar as diferenças e as coisas caminham.

Mas do ponto de vista do investidor de risco, as coisas tem outras cores. Há três elementos que afetam a decisão do investidor em apoiar ou não uma empresa de médio porte – tipicamente familiar – em regiões outras que não onde o fundo esteja sediado

rotasaereasUma dessas razões é geográfica. O sujeito sentado em sua poltrona em São Paulo se pergunta como ele fará para estar presente semanalmente no escritório do investido para poder acompanhar melhor seu investimento. O executivo se preocupa com tempo de deslocamento, problemas com aeroportos congestionados, ter de ficar 2 dias fora (o Brasil é um país muito grande) para trabalhar efetivamente um dia, etc. Pode parecer uma preocupação simplória mas se o investidor paulista tem, digamos, 3 empresas investidas, uma em Porto Alegre, outra em Salvador e outra em Manaus, haverá grande dificuldade logística em monitorar de perto a gestão dos negócios.

integraçãoA segunda razão é a desconfiança que o investidor tem das técnicas de gestão do investido. Daí a necessidade de acompanhar os negócios de perto. E daí as dúvidas em se colocar dinheiro em negócios longe de casa. Qualquer pessoa com um pouco de experiência de vida sabe que pilotar empresas remotamente, com base em relatórios gerenciais, embute um risco apreciável de problemas importantes surgirem apenas quando eles já se tornaram críticos e de difícil solução.

comunicaçãoA última razão é de ordem puramente cultural. Investidores paulistas estão habituados ao “jeito de pensar” do empresário paulista, que é diferente do empresário mineiro, do carioca, do paranaense, do pernambucano… O mesmo vale para investidores de outros lugares. Estar a vontade com padrões culturais e comportamentais permite antecipar reações e construir confiança. Quanto mais distante alguém está da zona de conforto, maior a necessidade de estar presente fisicamente na empresa investida e aí voltamos ao ponto 1.

Não se está aqui a criticar o comportamento de investidores da região A ou B. Estamos apenas destacando que fatores como os apresentados existem na vida real, impactam as decisões de investimento e atrapalham a vida de empresas que estão distantes dos centros financeiros do pais, por melhores que sejam suas perspectivas de crescimento.

?????????????????????????????????????????????????????????????????????Existem soluções para isso? Claro. O surgimento e expansão de fundos de investimento espalhados por todo o país, principalmente no sul e no nordeste, é uma resposta a esse problema. Investidores que abrem escritórios regionais para identificar, observar e cuidar de perto de potenciais negócios é outra resposta

O futuro da economia brasileira repousa nos capitais de risco privados, por mais que existam dificuldades de curto prazo na realização do potencial econômico do Brasil. Sair dos grandes centros e apostar nas fronteiras econômicas é uma decisão de bom senso.

A D.D Consultoria de Negócios é uma butique de consultoria voltada para assuntos gerenciais e estratégicos com 19 anos de experiência no mercado brasileiro. Nossa carteira de clientes inclui empresas de grande e médio portes, em todo o país. Estamos localizados em São Paulo e temos escritórios parceiros em Recife, Salvador e Porto Alegre.

A empresa média familiar e o investidor de risco

Nos últimos anos tem sido um discurso comum afirmar que existe um volume de capitais de risco enorme disponíveis no Brasil mas faltam bons tomadores. Ao conversar com investidores, sejam eles grandes fundos internacionais, sejam fundos brasileiros de menor porte, o que se ouve é que eles, por natureza, focam em empresas médias com bom potencial de crescimento, são bombardeados com pilhas de business plans mas os negócios que lhes são apresentados não são bons.

Ora, a economia brasileira viveu 10 anos de expansão onde as empresas de médio porte foram amplamente beneficiadas (quando não frutos diretos do próprio crescimento do país) e se tornaram a “bola da vez” no discurso de todo mundo. Então como é possivel que não existam bons negócios para os fundos de investimento?

cifrc3a3oExistem. É que a história não é tão simples assim. Vamos deixar de lado o trivial, aquilo que todo mundo já sabe: muitas empresas não estão organizadas o suficiente para a entrada de um fundo; há problemas com ativos e negócios da empresa misturados com ativos e negócios da familia; podem existir problemas fiscais; podem existir atividades informais; e por ai vai

Mas o que realmente atrapalha a aproximação de fundos e empresas não são as questões mencionadas acima. A meu ver há tres outros empecilhos que impedem que a maior parte dos negócios aconteça.

investimentoO primeiro empecilho diz respeito ao próprio mercado. O objetivo de um fundo de investimento é ganhar dinheiro com a valorização da empresa. A empresa só valoriza se as curvas de crescimento e lucratividade após a entrada do fundo forem substancialmente maiores e mais acentuadas do que antes. Ou seja, não basta continuar crescendo como vinha, é preciso crescer mais rápido. Se isso não acontecer, o empreendimento não gera valor suficiente para remunerar o novo acionista e ele passará a ser apenas uma pedra enorme no sapato do fundador. Crescer muito rapidamente assusta. Os riscos se multiplicam. Os altos e baixos da economia brasileira atrapalham. A burocracia atrapalha. A gestão se torna mais complexa. Os gestores provavelmente foram trocados com a entrada do fundo, saindo membros da familia e assumindo profissionais de mercado. Portanto, as regras e as convivências internas ainda estão se reacomodando. Tudo isso assusta bastante o empresário de médio porte negociando com um fundo

pag8-governancaO segundo empecilho é o conjunto de regras de governança que o fundo impõe. Empresas familiares poucas vezes dependem de estruturas abrangentes de planejamento, tomadas de decisão e controle. Ao contrário, a flexibilidade e capacidade de reação rápida são elementos importantes na sua solidez empresarial. Um fundo sempre irá exigir um conjunto de controles muito maior (não apenas financeiros como também contábeis e operacionais), relatórios mensais, resultados trimestrais, indicadores de performance detalhados e compartilhamento de todo tipo de informação relevante nas reuniões do conselho. Ao mesmo tempo, o empresário é solicitado a fazer sua empresa crescer cada vez mais rápido e com parte de sua equipe renovada. Empresários que venderam parte de sua empresa para fundos se queixam de que eles passaram a viver para o sócio e não tem mais a empresa na mão, tendo dificuldades para cumprir as metas com que se comprometeram. Ouvir este tipo de relato de pares estimula muitos empresários a desistir de uma possivel negociação com fundos.

FundosO terceiro problema não diz respeito à entrada do fundo e sim à sua saída. Em mercados maduros, a saida tradicional de um fundo que investe em empresas de médio porte é a bolsa de valores. A abertura de capital não apenas dá liquidez para as ações do fundo como também para as ações da familia fundadora. No Brasil esse mecanismo não funciona. Por mais que se fale de bolsa de valores, não há mais do que 600 empresas de capital aberto no país e apenas em condições muito particulares é possivel que uma empresa de médio porte consiga abrir seu capital. Então a saída habitual dos fundos que operam no Brasil é vender sua participação para outro fundo. O resumo da ópera é que o empresário fundador passa a ter de conviver por muitos anos com sócios financeiros que se sucedem e que quase sempre impedem formalmente que ele venda sua parte majoritária no negócio sem o consentimento do fundo. Ou seja, o que era para ser uma solução se torna um problema. Por isso que muitos empresários hoje preferem vender a totalidade do seu negócio (ou o controle, com cláusula de venda do remanescente das ações após determinado período de tempo contanto que certos níveis de resultado sejam atingidos) do que assumir um sócio minoritário e continuar mandando na empresa apenas de forma aparente

Tudo somado, não é que negócios bons não existam…. é que muitos empresários bons se desinteressam em ter fundos investidores como sócios à vista dos 3 fatores descritos. Preferem continuar com seu crescimento orgânico, financiado apenas com a geração de caixa ou alguma linha de crédito privilegiado do BNDES, dentro da zona de conforto e sem maiores pressões de sócios investidores.

A D.D Consultoria de Negócios é uma butique de consultoria voltada para assuntos gerenciais e estratégicos com 19 anos de experiência no mercado brasileiro. Nossa carteira de clientes inclui empresas de grande e médio portes, em todo o país. Estamos localizados em São Paulo e temos escritórios parceiros em Recife, Salvador e Porto Alegre.