Presumers & Custowners

Acompanhar a evolução do comportamento do consumidor é uma tarefa cada vez mais árdua, que exige metodologias progressivamente mais sofisticadas. Muita gente se dedica seriamente a este tema. As vezes, os institutos chegam a conclusões precipitadas e elas não se confirmam. Outras vezes, repete-se com palavras bonitas aquilo que todo varejista sabe desde sempre. Entretanto, vez por outra surge algo que realmente chama a atenção.

crowdfundingO conceito de presumers e de custowners vem sendo discutido há um certo tempo, não dissociado de um segundo conceito, o de crowd “alguma coisa (crowdfunding, crowdsourcing, etc). Crowd, em inglês, significa multidão. Aglutinar o esforço de uma multidão de pessoas em prol de uma causa ou de um negócio antenado é uma tendência já consolidada e que agora ganha espaço também no Brasil. As pessoas se envolvem em projetos que tragam benefícios sociais, mesmo que não tenham um propósito comercial.

O consumidor do tipo “presumers” tem muito a ver com isso. De acordo com a Trend Watching, há um grupo de consumidores que deseja nada menos que o melhor, agora, antes de todo mundo e com exclusividade. E, ainda, querem uma conexão real e humana. E graças às plataformas de crowdsourcing, novas tecnologias de produção e o culto ao empreendedorismo, os consumidores são cada vez mais presumers:  são capazes de satisfazer os seus desejos por meio do envolvimento com produtos e serviços antes de seu lançamento. Os presumers são predominantemente homens, jovens, com nivel educacional e renda superiores à média

crowd1Custowners são presumers que tem expectativas um pouco mais comerciais. São consumidores que deixam de lado o consumo passivo de produtos e passam a financiar e investir – as vezes comprando parte – de suas marcas preferidas. Eles se encantam por marcas acessíveis, amigáveis, honestas, confiáveis, transparentes e de alguma maneira mais “humanas”. Dessa forma, estes consumidores buscam um misto de retorno financeiro e emocional.

Certamente este é ainda um comportamento de nicho, relevante para uma porção pequena do mercado consumidor. De todo modo, é bom ficar de olho porque as coisas tem evoluído tão rapidamente que não seria surpresa se daqui alguns anos tivermos milhões de presumers ou custowners andando por ai.

A D.D Consultoria de Negócios é uma butique de consultoria voltada para assuntos gerenciais e estratégicos com 18 anos de experiência no mercado brasileiro. Nossa carteira de clientes inclui varejistas de grande e médio portes, bem como manufaturas e prestadoras de serviço

 

O varejo cresceu em janeiro?

Janeiro é um mês tradicionalmente de baixa no varejo. A queda do faturamento em relação a dezembro costuma ser significativa, chegando a 30% na maioria dos setores. Recentemente, uma pesquisa divulgada pela Serasa (Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio) mostrou um crescimento substancial das vendas em janeiro de 2013 comparado a dezembro do ano passado. A alta teria sido puxada pelas vendas de veículos, o que faz sentido porque sabe-se que a indústria automobilística bateu mesmo recorde de vendas em função dos benefícios fiscais temporários concedidos ao setor. O que chama a atenção é que outros setores também apresentaram crescimento de vendas quando comparado a dezembro. O mais notável são tecidos, vestuário, calçados e acessórios. O segmento cresceu 3,1% em relação a dezembro e 3,7% em relação a janeiro do ano passado. Isso leva a uma única conclusão: as vendas de natal foram péssimas para roupas e calçados. Não há outra maneira de justificar esses números, assumindo que eles estejam corretos.

Janeiro é fraco por vários motivos. Um deles é o que o Natal consome boa parte da renda discricionária das pessoas. Outro é que é mês de férias e muita gente viaja. A venda de cerveja na praia explode mas o movimento nos shoppings de todo o país cai acentuadamente. Um terceiro motivo é que janeiro é mês de liquidação, baixando o ticket médio.

Por outro lado, a economia brasileira não está crescendo embora isso não tenha afetado o nível de emprego e a massa salarial. Será que só o aumento no crédito explica o maior faturamento do varejo?

Material de construção, objetos de uso pessoal, veículos, equipamentos eletrônicos, material de informática…. segundo a pesquisa, tudo vendeu muito mais em janeiro. Não duvido dos números do Serasa mas essa situação merece uma análise mais aprofundada. O que a pesquisa indica é uma explosão de consumo no país. Euforia de consumo normalmente está associado com mais emprego, mais renda, mais otimismo, mais boas notícias. O país não vive um bom momento econômico, as más notícias aparecem todos os dias, a renda e o emprega estão estáveis.

Então de onde vem a euforia? A se pensar. Comentários serão muito bem vindos

A D.D é uma butique de consultoria voltada para assuntos gerenciais e estratégicos com 17 anos de experiência no mercado brasileiro. Nossa carteira de clientes inclui varejistas de grande e médio portes, bem como manufaturas e prestadoras de serviço

O varejo crescerá em 2013?

A última década tem sido generosa com o varejo brasileiro, em especial aquele orientado para as faixas sociais que tiveram ganhos expressivos de renda, as famosas classes D e, principalmente, C. O gráfico abaixo foi preparado a partir de dados oficiais do IBGE. Tomando janeiro de 2003 como base (primeiro mês desta estatística produzida pelo Instituto), observa-se que o varejo cresceu a mais de 2 vezes o crescimento do PIB brasileiro até finais de 2011. Os dados para 2012 ainda não estão disponíveis mas os indicadores são de que o varejo cresceu bem mais do que os parcos 1% de expansão do produto nacional no ano que recém finda.

Desempenho varejo

Isso posto vem a mente duas perguntas:

  1. O varejo continuará crescendo acima da economia?
  2. E a economia crescerá?

Até alguns meses atrás, as opiniões eram otimistas e as respostas seriam invariavelmente, “sim” e “sim”. O próprio Banco Central divulgou um longo relatório de 42 páginas, assinado pelo seu presidente (em maio de 2012), sustentando com inúmeros gráficos e análises a conclusão de que a economia brasileira se aceleraria ao longo do ano. Tudo o que está escrito naquele documento de fato era verdade e aconteceu, exceto o crescimento econômico

http://www.bcb.gov.br/pec/appron/apres/Alexandre_Tombini_Perspectivas_Economia_Brasileira_21_05_2012.pdf

Esse otimismo se prolongou até outubro. De lá para cá as opiniões se tornaram bem mais céticas. Em recente encontro de economistas praticamente tudo foi colocado em dúvida, da capacidade do governo manter as taxas de juros baixas até uma eventual revalorização do real frente ao dólar.

http://brasileconomico.ig.com.br/noticias/ano-de-2013-sera-desafiador-para-o-bc-dizem-analistas_126191.html

A única certeza que se tem é que o país vive um cenário de grandes indefinições. O governo central vem adotando medidas corretas no que toca à gestão macro-econômica. No entanto, sua tendência a intervir pesadamente na economia, até mesmo quebrando contratos, gerou um enorme receio entre grandes investidores e empresas nacionais e estrangeiras. Onde há receio não há investimento

Neste país tudo muda da água para o vinho em questão de semanas. E fazer previsões econômicas no Brasil é atividade de alto risco. Quase sempre se erra. Para o empresário varejista, que não pode se dar o luxo de errar muito, conservadorismo é a palavra da vez, assim como o foi em janeiro de 2012. Crescer menos do que o possível mas garantir robustez financeira é muito mais inteligente do que arriscar dar saltos de faturamento confiando na sorte e nas promessas governamentais.

Aproveite o ano para consolidar o negócio, melhorar sua eficiência e gerar reservas. Se o cenário melhorar para 2014, você provavelmente estará melhor preparado para tirar proveito do mercado do que aquele que arriscar este ano.

A D.D é uma butique de consultoria voltada para assuntos gerenciais e estratégicos com 17 anos de experiência no mercado brasileiro. Nossa carteira de clientes inclui varejistas de grande e médio portes, bem como manufaturas e prestadoras de serviço

O Natal e as incertezas das pesquisas

O Brasil é um país de poucas pesquisas e levantamentos estatísticos. E quando feitos, nem sempre há uniformidade metodológica, boa definição de amostra ou clareza naquilo que se quer medir. O objetivo do post desta semana era o de avaliar a expectativa dos varejistas em relação ao natal de 2012. Geralmente nós capturamos informações junto à nossa própria base de contatos e complementamos com dados obtidos em fontes secundárias. E o que nós encontramos esta semana pode, apropriadamente, ser chamado de salada mista.

As entidades de classe que representam o varejo invariavelmente apontam para um Natal melhor do que o do ano anterior. Tem sido assim há décadas. Em sua larga maioria, as entidades são regionais e seus dados refletem as condições de mercado de sua área de atuação. Isso deveria se refletir em expectativas diferentes, o que nunca ocorre, exceto este ano. Nossa pesquisa indicou que as entidades do sul do Brasil estão falando em um crescimento de vendas da ordem de 12 a 15% sobre o Natal de 2011. Já as entidades do Nordeste falam em algo como 6 a 8 % de crescimento. Já em Minas, 96% dos empresários dizem que o Natal de 2012 será igual ou levemente superior ao ano anterior, embora a quantidade de pessoas que desejam gastar entre R$ 50 e R$ 500 tenha aumentado. E aqui em São Paulo, dependendo de quem fez o levantamento, pode-se tanto ouvir que houve queda recorde nas intenções de compra das famílias quanto que as vendas do varejo deverão crescer 8% no ano (e não no Natal)

Primeiro problema: cada entidade mediu algo diferente e publicou uma percepção com base nos levantamentos feitos. Fica difícil comparar

Mas a confusão não termina aí. Uma confederação estima que o número de empregos temporários no Natal será 1,3% maior do que no ano passado. Em 2011 o comércio havia criado 2,3% mais empregos temporários do que em 2010. Fazendo conta de chegada, isso indicaria que o Natal desde ano crescerá a metade do que o Natal do ano passado. Como o Natal de 2011 cresceu 5,5% em relação ao anterior, então nós estaríamos com magros 3% de expansão de vendas este ano.

Dando uma olhada em pesquisa de endividamento das famílias brasileiras feita este mês por uma outra entidade de classe, observa-se crescimento do número de famílias endividadas e aumento no número de famílias com dívidas em atraso, dois indicadores ruins para o comércio. Quase 60% das famílias estão endividadas (um número que contrasta bastante com a pesquisa de outro instituto, este oficial, que diz que só 44% das famílias estão endividadas) e um pouco mais de 20% do total de famílias estão com contas em atraso. Porém, a conclusão da analista que assina o relatório é que isso não é problema porque os spreads bancários estão caindo e o mercado de trabalho segue firme !!! Curiosamente, o instituto mais otimista no que diz respeito ao endividamento das pessoas é aquele que é mais pessimista no crescimento das vendas do Natal: meros 3%.

Há muitos outros exemplos mas a conclusão lógica é que nós sofremos com a carência de boas pesquisas que efetivamente reflitam as tendências de consumo em nível nacional e sejam feitas de forma metodologicamente consistentes ao longo do tempo. As sensíveis diferenças de resultados nos vários levantamentos devem-se tanto ao perfil da amostra de varejistas consultados quanto ao tipo de pergunta feita. Em anos de vacas magras, as pessoas tendem a deixar de comprar itens mais caros (como eletrodomésticos, eletrônicos e mobiliário) em prol de lembranças de baixo preço. Além do fenômeno do down grade: na hora de escolher um determinado produto, opta-se por um item de preço intermediário ou econômico ao invés da marca Premium. Obviamente, alguns segmentos acusarão aumento de vendas e outros diminuição. Ao mesmo tempo, o número de tickets emitidos pode não se alterar mas o valor médio deles cairá. E cada entidade ou instituto, depois, soltará um release tirando conclusões sobre o Natal a partir de dados que não podem ser comparados diretamente

Quanto ao Natal em si, motivo inicial de nossa preocupação e deste post, nossa opinião é que ele será fraco. Mesmo com juros mais baixos, a preocupação das pessoas será a de diminuir o próprio passivo, pelo menos aquelas que estão com dívidas em cartão de crédito e cheque especial (normalmente, o segmento de renda mais alta). Para quem está no crediário, a parcela da renda mensal comprometida com o pagamento das parcelas não muda, independentemente da taxa de juros. São consumidores dos extratos sociais mais baixos, com menos renda discricionária e menor capacidade de endividamento.

É muito ruim para o varejo virar o ano estocado. No passado, muitas redes quebraram por apostar alto em Natais que não vingaram. Eram outras épocas mas a lição que fica para a vida é que é melhor ser conservador e perder venda do que ser otimista e perder o negócio. A D.D Consultoria recomenda cautela para este final de ano.

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Pensando 2013

Outubro é o mês onde, tradicionalmente, as empresas realizam seu planejamento para 2013. As mais estruturadas já negociam também seus contratos de fornecimento e bonificações com os fornecedores A. As demais geram um pré-planejamento que será confirmado em função do desempenho do Natal. O Natal de 2012 será objeto do artigo da próxima semana mas o que esperar de 2013?

A questão é importante porque, lendo a mídia especializada, nota-se claramente uma contradição entre o que diz a teoria econômica e o que pensam os empresários. A princípio, todo mundo afirma que o planeta continuará em recessão nos próximos anos, o que prejudica o crescimento dos BRICs. O caso mais emblemático é o da China, que copia o modelo dos tigres asiáticos dos anos 70 e 80 e estes, por sua vez, copiaram o modelo do Japão dos anos 50 e 60: produzir bens de consumo de baixa qualidade em altíssima escala e custos irrisórios para abastecer mercados internacionais. Investir o resultado em tecnologia e, paulatinamente, subir na escala de valor. A China já percorreu metade desse caminho mas a sustentação de seu crescimento depende de mercados internacionais sempre compradores e isso é tudo o que não se tem hoje

As exportações brasileiras continuarão comprometidas em 2013 por conta desse cenário desalentador. Entretanto, o empresariado brasileiro mostra um inesperado otimismo com relação ao próximo ano. Essa semana o Ibope e a Amcham divulgaram uma pesquisa realizada com 214 grandes empresas e a maioria acredita que a inflação continuará nos níveis atuais ou apenas um pouco maior, a taxa de juros ficará estável nos níveis de hoje e 62% entendem que o PIB terá um desempenho melhor que 2012.

Mais otimista ainda é o Banco Itaú, cujo economista-chefe publicou o relatório anual com previsões para os próximos anos. De acordo com a expectativa do Itaú, a economia deverá crescer 4,5% em 2013, com câmbio médio a R$ 1,87 / dólar, inflação de 5,7%, desemprego estável e melhoria em outros parâmetros macro-econômicos.

O que sustenta esse otimismo todo parece ser a taxa de juros baixa. De fato, se a gente deduzir a inflação da taxa Selic, o Brasil está com juros reais de 2% ao ano, mais ou menos, o que é um enorme estímulo ao investimento industrial. Aliado a isso vem o esforço do governo federal para derrubar o custo do dinheiro também para o consumidor final, na tentativa de garantir bom volume de vendas a crédito, fundamental para o pessoal de baixa renda

Traduzindo tudo isso para o varejo, minha percepção é a de que as empresas que já consolidaram o crescimento dos anos anteriores (ou seja, já trouxeram o endividamento para patamares mais baixos, estão com bom capital de giro e ajustaram a operação ao novo tamanho de rede) poderão arriscar um crescimento moderado em 2013 sem grandes sustos. Para aqueles que ainda não estão em posição financeira totalmente confortável ou a operação ainda não recuperou os níveis de performance de antes da expansão, é melhor concluir esse processo.

A D.D Consultoria tem sido frequentemente convidada a assessorar varejistas que se debatem com problemas operacionais derivados do crescimento. Por vezes é problema logístico, outras vezes são os controles de estoque que não estão apurados, ou então processos de compra ou a otimização de todo o supply chain, ou a implantação de um novo ERP. Estamos falando de consertar questões básicas mas é por aí mesmo. Não adianta tentar implantar camadas mais sofisticadas de gestão se aspectos cruciais como estes estão sendo constantemente modificados por crescimento acelerado. Como diria minha avó, antes de chegar no cassoulet é preciso saber cozinhar direito o feijão carioquinha.

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Lançamento do Instituto Brasil Varejo

Um evento muito importante acontecerá em São Paulo no dia 17 de Outubro: o lançamento do Instituto Brasil Varejo (simplificadamente, IBV), uma iniciativa da D.D Consultoria, da 2XMedia e da revista Ponto de Venda.

O Instituto Brasil Varejo não objetiva lucros e foi concebido para representar os interesses de um perfil varejista que se encontra bastante desassistido hoje. Seus objetivos são os de:

  • constituir um ambiente estruturado e especializado na discussão dos problemas que afetam as empresas varejistas de porte médio, que tem características e necessidades diferentes das do pequeno varejo e também das grandes redes nacionais.
  • fortalecer a representação e a interlocução de empresas varejistas de médio porte junto aos órgãos do governo, como grandes empregadoras e geradoras de tributos que são.

Dentre os produtos concretos que resultarão desta iniciativa estão:

  • Construção de uma agenda comum para as lideranças do varejo de médio porte
  • Criação e encaminhamento de soluções privadas para problemas que independem da intervenção pública, aumentando a representatividade deste perfil de empresas
  • Geração de pesquisas e levantamento de dados
  • Geração de estudos e relatórios de natureza gerencial e empresarial
  • Geração de publicações eletrônicas
  • Visitas técnicas à empresas de referência, tanto no Brasil quanto no exterior
  • Feiras e Eventos

O IBV se vale do conhecimento acumulado de um grupo amplo de consultores, professores, ex-executivos de varejo e jornalistas. A participação de empresários e dirigentes varejistas é não apenas bem-vinda como fundamental para que o Instituto atinja seus objetivos.

O lançamento do Instituto Brasil Varejo se dará dentro da Consumer Show 2012, no Hotel Caesar Business Paulista, Avenida Paulista, 2181, fone 11 2184-1600, no dia 17 de Outubro, às 15:30hs

Veja a programação completa do evento no site http://2xmedia.com.br/