D.D Consultoria de Negócios

Ética – Excelência – Inovação

Os desafios do varejo em 2012

Por José Roberto Resende (resende@shoppingbrasil.com.br)

Certamente este será um ano dominado pelas incertezas, onde tudo pode acontecer. As previsões da grande maioria dos economistas são de que teremos um ano muito difícil, com baixo crescimento do PIB de 3 a 3,8% – se não acontecer nenhum problema mais grave no cenário global envolvendo a zona do Euro e a China (o que não pode ser descartado).

O importante é saber que este crescimento não vai ser homogêneo em todas as regiões e segmentos da economia. Provavelmente teremos as regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte e os segmentos de consumo voltado para a classe C crescendo em ritmo mais acelerado.

Por outro lado, o Brasil entrou na crise com reservas recordes, a maior taxa de juros do mundo, renda e crédito em expansão e com um dos menores índices de desemprego da história.

Além disto, o governo tem ainda um arsenal de medidas que pode adotar para acelerar a economia, como fez recentemente com a redução do IPI para a linha branca. Estas medidas variam desde a redução de juros, redução de compulsórios, estímulo a segmentos específicos da economia através de desoneração de impostos, etc. Resta saber se o governo terá sensibilidade e competência para fazer uma leitura correta do cenário e tomar as medidas adequadas no tempo certo.

O desafio do planejamento para multicenários 

Em um ambiente carregado de incertezas, de difícil previsibilidade, o processo de planejamento torna-se muito mais complexo e necessário, obrigando os gestores a trabalharem com multicenários:

  • Otimista: O mercado global reage, o governo toma medidas adequadas e a economia cresce acima 5%. (pouco provável)
  • Realista: O mercado global entra em leve recessão e o governo consegue implementar medidas adequadas e a economia cresce entre 3 a 3,8%. (mais provável)
  • Pessimista: A economia global entra em forte recessão, as medidas do governo não surtem efeito e o Brasil entra em leve recessão.

Com estes cenários, mais do que um plano estratégico, precisamos é de uma administração estratégica, com monitoramento constante das variáveis de mercado e dos indicadores de desempenho da empresa.

2012 é um ano de ameaças mas também um ano de oportunidades para as empresas que conseguirem fazer uma leitura correta dos cenários, agirem rapidamente e se anteciparem aos concorrentes, ganhando consumidores e mercado.

Estratégias para multicenários 

Além das variáveis econômicas, o varejo tem um grande desafio para
2012 que é a pressão dos custos decorrentes do efeito cascata do
aumento do salário mínimo de 14% para janeiro, aluguéis, logística, TI,
manutenção, etc. A tendência natural é que os custos aumentem mais do as vendas e as margens reduzam ainda mais em função da ações da concorrência pelo equilíbrio do caixa. Mais do que vender, a principal preocupação será recuperar e manter a rentabilidade.

Seguem algumas estratégias e ações para 2012, que acredito, possam contribuir para a elaboração do plano estratégico da maioria das empresas de varejo:

1. Priorizar todas as estratégias e ações que contribuam para reforçar o caixa
2. Aumentar o giro de estoque: redução do mix de produtos, redução do número de fornecedores, alianças estratégicas com a indústria, otimização do processo de logística, acompanhamento minucioso do nível de estoque.
3. Implementar um programa para administração e redução de custos, de forma obsessiva, envolvendo toda a empresa
4. Desenvolver um plano de ação para aumentar a margem: foco em produtos mais rentáveis, compras de oportunidade e alianças com fornecedores; estratégia de pricing baseada na percepção de preços do consumidor
5. Desenvolver um plano para criar uma experiência diferenciada de trabalho para a equipe, visando reduzir o habitualmente elevado turnover do varejo, melhorar o atendimento e aumentar a produtividade
6. Estabelecer uma política de investimentos focada no retorno a curto prazo e respeitando os limites de disponibilidade de caixa
7. Implementar uma política de busca obsessiva de lucro: mais importante do que a venda é o lucro; desenvolver ações específicas de expansão de vendas nas lojas com maior potencial de crescimento, avaliar fechamento de lojas cronicamente deficitárias.
8. Identificar os principais indicadores de desempenho da empresa (vendas, margem, giro, estoques, turnover), estabelecer metas e definir a forma de acompanhamento sistemático, com ações para correção de desvios.


Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 05/01/2012 por em Estratégia e marcado , , .
%d blogueiros gostam disto: