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Estamos indo para uma recessão?

No começo deste ano, eu e outros analistas chamamos a atenção para a necessidade das empresas varejistas serem conservadoras na gestão do caixa e dos negócios em geral porque a economia brasileira indicava claramente estar se desacelerando. Passados 5 meses, o que se tem na mídia são notícias recorrentes de queda de atividade econômica e ações (e reações) diversas do governo federal na expectativa de garantir crescimento suficiente para evitar desemprego – que seria péssimo em ano eleitoral.

A dinâmica da economia brasileira vem sendo determinada por 2 grandes vetores. De um lado, as exportações de commodities (alimentos e minerais, principalmente), que tem a China como maior cliente individual. De outro, as vendas financiadas de bens de consumo no mercado interno. Se uma das frentes esfria, temos um problema. Se ambas esfriam, temos uma crise. Parece que estamos mais próximos da segunda opção.

Em meio a isso tudo temos uma preocupante tendência do governo federal em impor decisões arbitrárias a empresas de capital aberto, principalmente Petrobrás, Banco do Brasil e Vale. Acionistas internacionais não gostam de países que brincam com regras de mercado. O capital estrangeiro vem se retraindo e R$ 2,2 bilhões saíram da bolsa brasileira apenas na primeira quinzena de maio.

O esforço de baixar artificialmente os juros deverá quase que certamente impactar a taxa de inflação. Em abril, ao invés dos esperados 0,58%, o país teve 0,65% de inflação, jogando a expectativa do ano para 6%, ao invés dos 4,5% desejados (e necessários).  O PIB, por sua vez, cresceu apenas 0,5% de janeiro a março, projetando algo como 2,0% a 2,5% de expansão para o ano. Esse é o mínimo minimorum para se garantir o nível de emprego atual e fica bem abaixo dos previstos 4,5% do governo

As exportações brasileiras sofrem com o esfriamento da economia mundial. Até o ano passado, as vendas externas cresciam a dois dígitos. No primeiro trimestre deste ano, as vendas aumentaram apenas 2% em relação ao mesmo período do ano passado. E abril registrou encolhimento de exportações de 6,8% em relação a março. Com menos exportações e intervenção do governo no câmbio, o dólar foi de menos de R$ 1,60 para R$ 2,00, encarecendo importações e definindo novos patamares de preço para muitos produtos no mercado interno. Não se espera uma reversão do câmbio a curto prazo. Cairam substancialmente as importações de carros, artigos de vestuário e outros bens de consumo. Ainda assim, haverá pressão continua sobre a inflação.

Quanto ao crédito, o governo está tomando medidas desesperadas para reduzir as taxas de juros da economia, que tem impacto a médio prazo nos investimentos industriais mas pode estimular rapidamente o consumo interno. A diminuição de exigências no depósito compulsório para aumentar o volume de dinheiro disponível, o corte na remuneração potencial da poupança e as decisões arbitrárias de redução de juros no crédito ao consumidor oferecido pelos bancos estatais vão nessa linha. O que assusta é o crescimento da inadimplência. Nos contratos de médio e longo prazo, a inadimplência já atingiu a 6%. Já as de pessoas físicas está em 7,4%. Um ano atrás, estava em 5,7%.

As atenuantes ficam por conta do ano eleitoral, que faz com que governos de modo geral se tornem irresponsáveis e saiam gastando, e pelas ações de curto prazo adotadas pelo governo federal, que deverão trazer algum alívio ao mercado. De todo modo, a recomendação permanece a mesma: corte investimentos em expansão de rede, melhore o fluxo de caixa, preste muita atenção na inadimplência, reduza estoques e resista aos aumentos de preço que a indústria deverá propor. Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, especialmente após anos de forte expansão econômica.

A D.D é uma butique de consultoria dedicada a assuntos de estratégia, gestão e inovação com foco no varejo. Fale conosco através do email contato@dpontod.com.br

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Um comentário em “Estamos indo para uma recessão?

  1. Jefferson Nascimento
    25/05/2012

    Estimado Fabio:

    Li com muita atenção sua análise sobre a situação atual pela qual passa o país. Gostei da simplicidade do enfoque. Gostaria de acrescentar alguns poucos pontos, se você me permite:

    a) No primeiro vetor, não podemos nos esquecer que a China nosso “consumidor” de commodities, em algum momento terá que acelerar seus ajustes de crescimento, reduzindo-o.

    b) A crise na Europa poderá tomar proporções desagradáveis o que forçará todos os players a tomar suas medidas de prudência, mesmo aqueles que se dizem 300% preparados.

    c) O estímulo ao crescimento da economia pelo favorecimento ao consumo, principalmente quando localizado somente em determinados setores, pode ser uma medida cujo efeito não se verifique. Como diziam os antigos: onde você tira e não põe, não pode dar boa coisa.

    d) Onde estão os investimentos, principalmente em infra estrutura? O deslocamento nas cidades tem se mostrado caótico. Não estou falando somente de métropoles. estou falando de cidades do interior, outrora tranquilas, hoje, impossíveis. Não vou chover no molhado falando de aeroportos e nem de segurança.

    e) Até quando durará o efeito multiplicador da classe “C”?

    Enfim, o varejo realmente deve ter muito com o que se preocupar. Eu, como consumidor e pagador de impostos, espero que todos estejam fazendo o dever de casa direitinho, pois, tenho a impressão que outros não estão. Aliás, o Adam Smith (antigo, né?) deve estar se contorcendo lá na tumba dele, caso a internet dele ainda esteja funcionando!!!!

    Um abraço,

    Jefferson

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Publicado em 24/05/2012 por em Economia, Retração.
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