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O Brasil e seu crescimento artificial

Eu acompanho o cenário econômico tanto por dever de oficio quanto por interesse pessoal. Uma das minhas formações é de economista. É curioso como, mesmo com o amadurecimento da sociedade, existe uma enorme dicotomia entre o que se discute em gabinetes e o que a grande mídia destaca. De modo geral, a midia brasileira se preocupa apenas em reproduzir o que as autoridades (ou qualquer outro agente econômico relevante) divulgam. Análises profundas da estrutura real da economia raramente saem dos gabinetes dos economistas e analistas.

ConvenienciaDo lado da sociedade, o Brasil se dividiu entre aqueles que se afinam com uma proposta conservadora de governo – geralmente vista como vindo dos atuais partidos de oposição – e aqueles que se afinam com uma proposta de esquerda – geralmente associada com o partido atualmente no poder. Infelizmente, quando o debate se fundamenta em preferências ideológicas, ele perde a objetividade e o sentido lógico. As pessoas aprovam ou deixam de aprovar determinadas idéias, conceitos, opiniões ou conclusões em função de suas convicções ideológicas.

Todo esse preâmbulo foi necessário para se chegar ao centro do artigo de hoje: o que esperar da economia para 2014? Os dados disponíveis para análise são incontestáveis porque provenientes do Banco Central, IBGE, IPEA e demais órgãos oficiais. Vamos tentar observá-los por uma ótica neutra.

odalciA economia brasileira cresceu nos últimos 10 anos alavancada externamente pela demanda de commodities (a qual nos permitiu criar um bom colchão de reservas internacionais) e internamente pelo consumo. Este foi sustentado por um misto de aumento no emprego, aumento na renda real e crédito abundante. Ao mesmo tempo, é sabido que o país não investiu em tecnologia, aumento de produtividade ou qualificação de mão de obra, além de permitir sua desindustrialização parcial por conta do aumento das importações baratas de bens de consumo. Também não investiu em infra-estrutura. Isso enfraquece a capacidade do país continuar crescendo sem que a economia mundial vá bem

Por outro lado, os gastos públicos vieram aumentando continuamente no período, acima da inflação e da própria economia. Esse aumento de gastos foi sustentado por aumento de arrecadação fiscal e aumento real de endividamento. A divida interna ultrapassa R$ 2,2 trilhões, vindo de menos de R$ 900 bilhões em 2004. E a arrecadação fiscal bateu em 38% do PIB. É consenso de que dificilmente o governo conseguirá continuar aumentando a arrecadação fiscal acima do crescimento do PIB. É consenso também que será necessário elevar a taxa de juros para continuar havendo aceitação dos papéis públicos. Aumento de juros também ajuda a controlar a inflação, que subiu bastante nos últimos tempos

Então temos um cenário de economia internacional fraca, exportações fracas, déficit de mais de R$ 70 bilhões em conta corrente, inflação ascendente, endividamento interno exagerado, taxa de juros ascendente e descontrole de despesas.

Duvida1Em épocas usuais, o governo adotaria uma política econômica conservadora. Mas não estamos em épocas usuais. Há uma importante eleição no próximo ano. Esta eleição é fundamental para o atual partido no governo conquistar mais um mandato federal e chegar ao poder em estados economicamente relevantes, como São Paulo. No Brasil a política sempre dita o caminho da economia, e não o contrário. Portanto, não se deve esperar algo diferente de um esforço para se obter crescimento neste e no próximo ano, mesmo que com a continua deterioração dos indicadores econômicos

Esta não é uma situação nova. Lembremos de 1998, quando o governo FHC também “empurrou” para a frente o enfrentamento dos problemas econômicos que nos afetavam visando sua própria reeleição. Ele a obteve porém o desequilibrio econômico que se sucedeu comprometeu todos os anos do segundo mandato. Eu temo que vá acontecer exatamente a mesma coisa agora. Teremos um 2014 com resultados econômicos minimamente necessários para garantir a imagem de prosperidade do governo atual porém 2015 e 2016 serão dramáticos em termos de ajuste.

Tudo conduz a uma única recomendação ao empresariado: cautela. Muita cautela. Reduza seu endividamento. Não tome crédito adicional. Provavelmente o custo dele irá subir. Há chances de termos uma recessão daqui um ano ou dois. Cuide da sua liquidez. Não é hora de pagar para ver.

A D.D Consultoria de Negócios é uma butique de consultoria voltada para assuntos gerenciais e estratégicos com 18 anos de experiência no mercado brasileiro. Nossa carteira de clientes inclui empresas de grande e médio portes, em todo o país. Estamos localizados em São Paulo e temos escritórios parceiros em Recife, Salvador e Porto Alegre.

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Publicado em 02/10/2013 por em Economia, Recessão.
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