D.D Brasil Consultoria

O futuro das empresas familiares

Nunca se falou tanto em empresas familiares – e também em empresas de médio porte – quanto agora. O salto da economia brasileira nos últimos 10 anos não apenas deu um grande alento para as empresas nacionais como as colocou no radar de todos: imprensa, consultores, advogados, pesquisadores e governo, para não mencionar auditores, bancos, financeiras, fornecedores de solução de tecnologia e todos que estão em busca de novos e promissores clientes.

sucessao-bastao-21Na grande maioria das vezes em que o tema “empresa familiar” é abordado a ênfase é colocada no aspecto sucessório. Certamente a questão sucessória é relevante mas não deve ser considerada como o elemento focal. O que o empresário deve considerar é o melhor para a sua empresa, olhando no longo prazo, olhando para seus clientes e olhando para seu mercado. Uma visão de longo prazo bem construída garantirá não apenas a perpetuidade do negócio como também o papel que os acionistas e gestores deverão desempenhar, sejam eles membros da familia ou não.

Existe uma certa visão simplista, principalmente entre quem não convive com este perfil de empresários, que o sujeito que criou sua empresa do nada e a transformou em um negócio relevante está preocupado exclusivamente em escolher qual dos filhos deverá assumir a presidência. Ou, se não tiver herdeiros, em como vender o negócio. Mas realmente não é assim que as coisas acontecem na vida real.

De um lado, indivíduos simplórios não são capazes de colocar em pé uma grande empresa, por mais intuitivos que eles possam ser como empresários. A lenda de que o vendedor de amendoins era tão bom, mas tão bom que foi capaz de construir um império a partir da carrocinha não passa disso: lenda. Mesmo que o empresário não tenha tido a oportunidade de frequentar curso superior (e este é o caso da maioria), eles foram se instruindo e se aperfeiçoando ao longo do tempo, na medida em que seus negócios iam se tornando mais complexos.

empresas-familiaresDe outro, o Brasil pouco fez para ajudar empreendedores nos últimos 30 anos. Só o que temos visto é mais burocracia, mais regulamentações, mais impostos, mais conflitos trabalhistas, mais reclamações de todo tipo, menos infra-estrutura, menos apreciação do esforço empresarial, menos apoio do gerador de empregos e tributos. Se a isso se acrescenta a concorrência cada vez mais acirrada, fica óbvio que apenas os mais aptos sobreviveram e se consolidaram. Portanto, respeitemos o nosso empresário de médio porte, dono de sua empresa familiar.

Mesmo assim, existem alguns problemas que são típicos das empresas familiares de médio porte, independentemente de em que parte do país elas estejam sediadas ou de seu ramo de atividade. Um destes problemas é a mistura do patrimônio empresarial com o patrimônio familiar. Não é raro ver fazendas, automóveis não operacionais, casas de veraneio, lanchas e outros itens desconectados das atividades da empresa fazerem parte de seu ativo.

consultoria-empresarial1Outro problema comum é a utilização da empresa como garantidor ou como caixa de outros negócios de membros da familia. É assim que surgem os avais e os investimentos em iniciativas individuais, que consomem caixa precioso e não oferecem retorno. Eu me lembro de um episódio emblemático. Anos atrás um empresário queixou-se da vida para mim. A empresa varejista da familia estava perdendo capacidade competitiva. Havia necessidade urgente de trocar o sistema ERP, aumentar o número de pontos e modernizar os existentes. Mas não havia dinheiro em caixa porque o herdeiro tinha decidido criar uma rede de escolas de idiomas. As escolas foram implantadas em pontos comerciais pertencentes ou já operados pela empresa. O resultado é o que o negócio de idiomas não deu certo e quase fez falir o varejista.

Family-Business-154406Um terceiro aspecto de extrema relevância é a dificuldade de certos empresários em compreender que a empresa não é uma extensão dele, assim como um filho não é a extensão de ninguém. Nós geramos o filho, criamos, educamos e transmitimos valores. Mas ele tem sua própria personalidade, seus próprios amigos, seus próprios interesses e modos de ver o mundo. Empresas são entidades vivas. Elas existem para atender clientes eternamente mutantes, dentro de uma estrutura competitiva dinâmica e vendendo produtos e serviços que se renovam continuamente. A empresa é um ser independente, por mais que tenha um único dono. Quando o empresário passa a olhar para seu negócio como um ser vivo que tem pernas próprias, ele deixa de imaginar como encaixar seus filhos, patrimônio, ego ou outras atividades dentro dele. Seu pensamento passa a ser em como garantir que esta empresa continue competitiva, próspera, eficiente, rentável e bem vista por funcionários, clientes e fornecedores. E essa é a grande mudança que se constata hoje

Atender a uma empresa familiar de médio porte hoje significa ser capaz de oferecer uma solução:

  • de planejamento: o futuro da empresa não depende do herdeiro. Depende do mercado
  • fiscal e financeira: separando o que pertence a ela do que pertence aos donos, incluindo eventuais passivos
  • societária: se o planejamento indicar que a empresa precisa de um sócio capitalista, ou estratégico, ou do exterior, ou abrir seu capital, é por aí que ela deve caminhar.
  • gerencial: o perfil do gestor é determinado pelas características do negócio e pelo mercado onde a empresa atua. Se algum membro da familia preenche os requisitos, ótimo. Se não preenche, é do melhor interesse da empresa que ele fique no conselho e tenha trabalhando para si um profissional de mercado.
  • estruturação de conselho e profissionalização da gestão: como separar o papel de sócio do papel de gestor. Isso é bem fácil de fazer no papel e extremamente dificil de se obter na prática
  • psicológico: não é fácil para ninguém construir algo do zero, gerenciá-lo por 40 anos e depois ver seu negócio andar por conta própria, eventualmente sob ordens de novos gestores. Ou, por outra, ter nascido dentro de uma empresa, ambicionar um dia sentar na cadeira do fundador, e de repente ter de abrir mão desta ambição porque isso não é o melhor para o negócio. Exige maturidade, desprendimento e noção de que a empresa existe para atender mais do que apenas os interesses dos donos. Muita gente depende dela. A responsabilidade do acionista é garantir a sobrevivência do negócio

Temos sido consultados por um número cada vez maior de empresários que nos pedem uma colaboração abrangente, de longo prazo e, muitas vezes, sem um escopo de trabalho definido a priori. Para nós tem sido um enorme prazer poder colaborar.

A D.D Consultoria de Negócios é uma butique de consultoria voltada para assuntos gerenciais e estratégicos com 18 anos de experiência no mercado brasileiro. Nossa carteira de clientes inclui empresas de grande e médio portes, em todo o país. Estamos localizados em São Paulo e temos escritórios parceiros em Recife, Salvador e Porto Alegre.

 

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Publicado às 20/01/2014 por em Empresa familiar, Estratégia, Sucessão e marcado , .
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