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O Brasil e o Novo Conservadorismo

A duras penas o nosso país vem aprendendo a ser uma democracia de verdade. Democracia pressupõe alternância de poder no sentido de haver propostas substancialmente diferentes de gestão pública sucedendo-se ou, no mínimo, se apresentando recorrentemente ao escrutínio público.

71754-3Nos últimos 30 anos, o Brasil viveu a transitoriedade do governo Sarney (limitado em sua ação pela Constituinte e em lutar contra a hiperinflação), a abertura da economia ao mundo do governo Collor, a interinidade de Itamar (focado no plebiscito para escolha do regime de governo e o Plano Real), a gestão conservadora de FHC (privatizações, controle orçamentário, controle inflacionário, redução do custo do Estado) e o governo socialista e intervencionista de Lula e Dilma, com foco nas questões sociais, na criação dos chaebols brasileiros, extensa regulamentação da atividade produtiva e pouca preocupação na estabilidade macroeconômica, em particular nos últimos 5 anos. Em suma, foram três décadas onde a sociedade brasileira pode experimentar um pouco de tudo.

Basicamente, governos conservadores tendem a se preocupar com a estabilidade econômica, na redução da intervenção do governo na vida empresarial e no estímulo ao empreendedorismo, enquanto governos de esquerda (liberais, trabalhistas ou socialistas) dão foco nas políticas sociais, no intervencionismo econômico, regulamentação e aumento de tributos. O resultado é que governos conservadores acabam criando uma imagem antipática junto à população enquanto governos liberais acabam invariavelmente provocando uma crise econômica.

investimento-estrangeiroEm países desenvolvidos, as diferenças entre ambas as propostas de governo não são muito acentuadas e a alternância no poder tem impacto relativamente modesto no cotidiano das pessoas e na vida do país. No Brasil, (e na Argentina, Venezuela, Colombia, etc), as posturas políticas são muito radicais e qualquer política inovadora gera um resultado desproporcionalmente grande. Um programa de alimentação como o bolsa família, que em países desenvolvidos tem impacto modesto na demanda, no Brasil alavanca 2 ou 3 pontos percentuais de crescimento do PIB. Em contrapartida, a não observância da Lei de Responsabilidade Fiscal levou o país do equilíbrio orçamentário a um déficit público gigantesco em questão de poucos anos, trazendo a depressão econômica, comprometendo anos de crescimento futuro e praticamente determinando a queda do governo Dilma.

Se o Brasil continuar exercitando a democracia, a tendência é que governos conservadores e de esquerda se alternem a cada 10 ou 12 anos, porem com diferenças de postura cada vez menores. A curto prazo, nós suspiraremos com uma nova medida de impacto a cada manhã. Não há dúvida que o governo Temer só terá 2017 para fazer todos os ajustes que precisam ser feitos se seu partido quiser disputar as eleições de 2018 com chance de sucesso. Como os ajustes são imensos e o espaço de manobra pequeno, a solução passará por:

  • Um extenso programa de privatizações a ser implantado a toque de caixa, provavelmente não pelo melhor modelo mas sim pelo mais rápido de ser executado
  • Privatizações permitem a redução do tamanho do estado, com todas as consequências benéficas que isso traz em uso de espaço, consumo de recursos, benefícios concedidos e previdência social
  • Aumento seletivo de impostos: dificilmente veremos um redesenho da estrutura fiscal do país com transferência da carga fiscal hoje centrada na produção e consumo para o lucro e a renda
  • Manutenção dos programas sociais mais significativos
  • Algum privilégio a programas que servem tanto para estimular a economia quanto para reduzir a pressão popular, como o de habitação popular
  • Flexibilização do máximo possível das leis trabalhistas, às custas de muita briga com os sindicatos, organizações e partidos de esquerda. É bem possível que as propostas de mudança na legislação trabalhista se tornem o boi de piranha de toda a gestão Temer
  • Taxas de juros reais positivas, atraindo capital financeiro internacional
  • Câmbio livre e com valorização do real, o que ajuda no controle da inflação e vem a reboque da atração de capital estrangeiro
  • Controle da moeda e da inflação, que chegou a níveis alarmantes
  • Alguma renegociação criativa da dívida pública federal, que aumentou de R$ 220 bilhões no primeiro ano do governo Lula para R$ 3 trilhões em julho deste ano, sendo que R$ 604 bilhões vencem nos próximos 12 meses. Considerando que a receita fiscal federal prevista para este ano é de R$ 1,22 trilhão, girar uma divida enorme como essa forçará a manutenção dos juros em patamar muito elevado (ou consumirá parte importante da arrecadação fiscal). De todos os legados do governo anterior, a explosão da divida interna é certamente o mais nefasto e difícil de ser equacionado
  • Nos últimos 12 meses, o Brasil teve um déficit em transações externas de U$ 29,4 bilhões. As reservas internacionais estão em U$ 377 bilhões mas a dívida externa atingiu U$ 332,6 bilhões (dados de junho). Por enquanto a situação das contas externas ainda é confortável mas se as exportações não aumentarem, em breve o país terá uma dívida maior do que suas reservas, uma situação que não é dramática mas sinaliza negativamente para a comunidade financeira internacional

É muita coisa para ser feita em pouco tempo. Momentos emocionantes nos aguardam. Para quem tem seu negócio imerso há 3 anos em profunda recessão, a ousadia e a coragem do governo em tomar medidas estruturais como essas são um alento e tanto.

A D.D Consultoria é uma empresa com 21 anos de existência. Nossa carteira de clientes inclui empresas de médio e grande portes. Somos associados à The European House – Ambrosetti (www.ambrosetti.eu). Através da Ambrosetti oferecemos suporte consultivo no mundo todo além de um vasto portfolio de serviços em educação executiva, eventos corporativos e projetos a governo e empresas privadas. Consulte-nos em contato@dpontod.com.br

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Publicado em 17/08/2016 por em Uncategorized.
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