D.D Consultoria de Negócios

Think Tank – Estratégia – Networking – Eventos

Que capitalismo ainda nos resta?

A teoria econômica nos ensina que o crescimento econômico depende de concentração de capital. Essa concentração pode ocorrer por 3 mecanismos diferentes:

robberbarons1(1) Pela ação do próprio empresariado, como aconteceu nos Estados Unidos na segunda metade do século 19. Os “robber baron” ficaram conhecidos por dominar seus segmentos de mercado às custas de práticas bastante controversas. Embora hoje em dia isso seja raro, em setores embrionários esse fenômeno ainda é visível. Basta lembrar o que ocorreu com a indústria de sistemas operacionais e aplicativos para desktop nos anos 80, que se concentrou praticamente todo na Microsoft apesar das várias ações anti-monopólio movidas contra a empresa.

(2) No capitakorean-companieslismo dirigido, onde o governo utiliza uma combinação de ferramentas tributárias, financeiras, legais, regulatórias e alfandegárias para estimular o surgimento e consolidação de grandes conglomerados industriais, capazes de investir fortemente em tecnologia e produzirem a baixo custo em função da larga escala. A Coréia do Sul utilizou esse método com muito sucesso a partir dos anos 60, com seus Chaebols. O mesmo método foi utilizado nos governos Lula, com seu projeto de campeãs nacionais.

(3) Com a criação de grestataisandes empresas estatais, não raro monopolistas. Foi o modelo aplicado pelo regime militar. O prof. Delfim Netto, artífice desse modelo na época, repetia sempre que era preciso primeiro fazer o bolo crescer e depois dividi-lo, justificando a falta de políticas de distribuição de renda e promoção da igualdade social. O regime militar, a bem da verdade, também estimulou o surgimento de grandes conglomerados nacionais mas poucos deles sobreviveram ao teste do tempo

Neste ano de 2016 o Brasil deu uma forte guinada rumo ao conservadorismo político, o que fatalmente se traduzirá em um fortalecimento do livre mercado. É esperado que o ciclo conservador dure pelo menos 10 anos, antes de um eventual desgaste permitir o ressurgimento bem sucedido de propostas de esquerda. Nesse contexto, é licito perguntar: qual capitalismo é viável e/ou necessário para o país retomar sua rota de crescimento?

  • o capitalismo selvagem do velho oeste americano é impensável.
  • a economia dirigida encontra-se desacreditada em função dos escândalos de corrupção, enriquecimento ilícito e falência do estado associados ao governo anterior, embora tenha dado muito certo em todo o Oriente (sendo a China o exemplo mais recente)
  • o modelo de estatização da economia provou-se util em um primeiro momento e um entrave à eficiência do país no momento seguinte. Estatais facilmente tornam-se cabides de emprego, frequentemente tomam decisões baseadas não em lógica econômica mas em interesses políticos, permitem o surgimento de um corporativismo excessivo por parte de seu corpo funcional, são pouco ágeis, não prestam contas a ninguém, não seguem diretrizes de prazo maior do que o mandato do governante de plantão, são ineficientes, geram pouco lucro, recolhem pouco imposto, prejudicam o cidadão e impedem a competição

Ao Brasil não basta escolher um modelo de crescimento econômico. É preciso também equacionar o problema da falta de investimentos e cultura de inovação, eliminar o excesso de burocracia, estimular vigorosamente a reindustrialização do país e combater a mentalidade vigente em parte da sociedade de que o empresário é um predador. Tudo isso deve ser debatido dentro de uma visão de longo prazo, 30 anos ou mais, prazo mínimo necessário para que um país de industrialização tardia como o nosso possa almejar ingressar no rol das nações econômica e socialmente desenvolvidas

A D.D Consultoria é uma empresa com 21 anos de existência. Nossa carteira de clientes inclui empresas de médio e grande portes. Somos associados à The European House – Ambrosetti (www.ambrosetti.eu). Através da Ambrosetti oferecemos suporte consultivo no mundo todo além de um vasto portfolio de serviços em educação executiva, eventos corporativos e projetos a governo e empresas privadas. Consulte-nos em contato@dpontod.com.br

Anúncios

Um comentário em “Que capitalismo ainda nos resta?

  1. Celina
    31/10/2016

    Questão bem colocada do ponto de vista da economia. Como poderíamos analisar a mudança que precisamos fazer no capitalismo brasileiro do ponto de vista cultural? Impressiona-me o depoimento de muitas pessoas a procura de concursos públicos ou dizendo que empreender dá trabalho demais no Brasil. Fala-se demais em empreendedorismo mas nos falta um ambiente amistoso para empreender… Idéias?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado em 31/10/2016 por em Uncategorized.
%d blogueiros gostam disto: