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Todas as guerras de Trump

Lucio Caracciolo, editor chefe da conceituada revista italiana de geopolítica Limes (http://www.limesonline.com/), foi o palestrante principal do Ambrosetti Live’s webinar “O Cenário Geopolítico Global”, que aconteceu em 11 de abril. Abaixo uma síntese de sua apresentação.

Entre os muitos focos de guerra e tensões a nível mundial, uma escapou aos comentaristas, exceto a Lucio Caracciolo: a guerra entre os poderes americanos.

Os EUA com Trump se viram em uma situação paradoxal e sem precedentes: ter um presidente suspeito de ser quase uma quinta-coluna do inimigo histórico, a Rússia. Essa posição de extrema fraqueza tem forçado Trump a reforçar seus músculos internamente, deixando para depois a implementação das diretrizes de política externa apresentadas durante a campanha eleitoral.

Trump imaginou estruturar sua política externa sobre 4 pilares:

  • restaurar o diálogo com a Rússia na luta comum contra o terrorismo
  • pressionar os países da OTAN a cumprirem a meta acordada de investir 2% do PIB em gastos militares (conforme consta do termo de constituição do Pacto Atlântico)
  • combater o estado islâmico
  • implantar uma visão protecionista do mercado interno, instaurando uma guerra comercial com a China

Contra este programa se opuseram forças poderosas como o Congresso (peça-chave porque controla o orçamento), o partido republicano que não se reconhece em seu próprio candidato e o Poder Judiciário. A estes se juntaram forças menos visíveis porém relevantes como o poder militar e as áreas de inteligência.

O atrito interno fez prevalecer a linha pré-Trump, que se baseia em 4 premissas:

  • A Rússia é o inimigo
  • A OTAN é útil e não faz sentido pressionar desnecessariamente os países membros
  • É necessário aumentar a pressão política sobre a China no que se refere ao Pacífico Sul
  • Mais abertura comercial com a China e menos restrições com a imigração (o tão falado muro na fronteira com o México provavelmente nunca verá a luz como havia imaginado o Presidente).

Na recente reunião de cúpula com a China deliberadamente evitou-se o engajamento norte-americano numa competição predatória com os chineses. O resultado foram acordos genéricos: o confronto foi adiado, pelo menos por enquanto.

A Coreia do Norte foi apontada por Obama a Trump como o “problema externo número um” devido às experiências de mísseis balísticos e o arsenal nuclear em construção. Trump deseja uma postura mais dura da China contra a Coreia do Norte, o que seria prejudicial para a própria China: não é de seu interesse incentivar a desestabilização da região para promover a reunificação das Coreias porque isso significaria trazer o poderio militar e econômico americano para as portas de sua casa. Por outro lado, uma guerra com a Coreia do Norte envolveria necessariamente tanto as potências regionais quanto as mundiais, criando as bases para uma perigosíssima escalada militar global. A China prefere deixar a Coréia do Norte como está.

Já a Rússia tem um nervo exposto na Ucrânia. Em setembro passado os olhos do mundo acompanharam extensos exercícios militares simultâneos da Rússia, OTAN e alguns países do Báltico. O sentimento de um possível agravamento repentino da situação graças a um “acidente” é real, levando em conta a tensão entre os EUA e a Rússia que, ao contrário da época da guerra fria, agora são inimigos que não se conhecem.

Por fim, a Europa está passando por um processo de desintegração e reintegração após o Brexit. A Irlanda e a Escócia podem não seguir a decisão da Inglaterra de sair da União Europeia. Ao mesmo tempo, o eixo político se deslocou para o sul com a Espanha surgindo como interlocutor de confiança da Alemanha. Alemanha que está numa situação particularmente difícil: por um lado, enfrenta o conflito surdo, embora aberto, com os EUA. De outro, possui uma supremacia comercial que não se traduz em hegemonia. Daí o flerte com a China e a Rússia, a política de rearmamento maciço, o debate público sobre a possibilidade de adquirir a bomba atômica, e até mesmo o Plano B, no caso da União Europeia de fato se esfacelar: criar a moeda do norte.

 

A D.D Consultoria é uma empresa com 22 anos de existência. Nossa carteira de clientes inclui empresas de médio e grande portes. Somos associados à The European House – Ambrosetti (www.ambrosetti.eu). Através da Ambrosetti oferecemos suporte consultivo no mundo todo além de um vasto portfolio de serviços em educação executiva, eventos corporativos e projetos a governo e empresas privadas. Consulte-nos em contato@dpontod.com.br

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Publicado em 24/04/2017 por em Uncategorized.
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