D.D Consultoria de Negócios

Ética – Excelência – Inovação

A política vai mal. Mas e a economia?

O estado de imenso desânimo que toma conta dos brasileiros está intrinsecamente ligado à crise política, institucional, moral e ética que nos arrasa de forma avassaladora. Mas e quanto à economia? É consenso que nunca enfrentamos uma depressão tão longa e profunda quanto esta. Segundo analistas, a crise atual supera de longe a de 1929, bem como a de 1983.

Ninguém tem a menor ideia de como o país sairá deste buraco. Mas os mais velhos hão de se lembrar que normalmente o Brasil surpreende a si mesmo e acha saídas onde ninguém suspeitaria. A economia parece estar mais uma vez comprovando esse fato. Considere as informações abaixo, compiladas a partir de fontes oficiais ou acadêmicas (IPEA, FGV, Banco Central e IBGE):

– O processo de redução do endividamento na economia continua. Em maio, a relação crédito/PIB foi de 48%, tendo caído continuamente desde o máximo de 54% registrado em dezembro de 2015

– A carga tributária brasileira está surpreendentemente em queda. Após ter atingido quase 34,8% do PIB em 2008, a carga tributária reduziu-se para 32,7% em 2016. Como não houve nenhuma mudança estrutural no sistema fiscal brasileiro, esta queda pode estar relacionada com desonerações setoriais ou com aumento da informalidade, um fenômeno comum em épocas de crises profundas

– A atual produção industrial brasileira situa-se no mesmo nível de 2004, apesar do crescimento do PIB no período. Entre 2004 e 2016, a participação da indústria no PIB encolheu de 24% para 18%. A chamada “desindustrialização” do país vem se aprofundando

– Apesar disso, a produção industrial está estável desde dezembro de 2015

– O sistema tributário brasileiro, concebido nos anos 60, se baseia no conceito de que a indústria lideraria o crescimento da economia. O encolhimento da indústria compromete substancialmente a recuperação do recolhimento fiscal brasileiro, mesmo que a economia volte a crescer. É inescapável uma de duas medidas a curto prazo: ou se redesenha completamente o sistema fiscal ou se implementa uma estratégia de expansão acelerada da base industrial nacional

– O IBC, índice de crescimento econômico criado pelo Banco Central, vem apresentando tendência de alta desde dezembro do ano passado

– O índice de confiança do empresariado no Brasil, após bater em seu nível mínimo em setembro de 2015 (número índice = 70), voltou ao nível de meados de 2014 (número índice = 95) em maio passado

– A expectativa é que o PIB cresça 0,5% em 2017, puxado pela agricultura (9,6%), sendo que indústria e serviços não deverão crescer nem encolher

– A inflação está em 3,4% ao ano. A queda continuada na inflação permite uma redução mais rápida da taxa Selic. A redução da Selic, por sua vez, faz com que uma parcela menor do orçamento federal seja comprometida com pagamento de juros da dívida. O orçamento de 2017 prevê o comprometimento de 50,6% de todo o recolhimento fiscal federal com o pagamento de juros e amortizações da dívida pública. Qualquer redução nessa despesa libera um volume considerável de recursos para investimentos públicos

– Superavit estimado de U$ 61 bilhões na balança comercial em 2017

– O investimento estrangeiro direto no país continua no mesmo patamar de U$ 80 bilhões / ano que se verifica desde 2011. Esse fato, combinado com superávit na balança comercial, permite projetar uma taxa de câmbio estável nos níveis atuais

– A formação bruta de capital (indicador de investimento em ativos produtivos), apresentará crescimento de 1,3% em 2017, após registrar 3 anos consecutivos de dados negativos (-4,2% em 2014, -13,9% em 2015 e -10,2% em 2016). Isso significa que o país reduziu seus investimentos produtivos em cerca de 30% entre 2014 e 2016 mas essa queda já foi estancada e este ano investiremos ligeiramente mais do que o ano passado

– A taxa de desemprego estava em 6,5% em dezembro de 2014 quando começou uma escalada violenta que a trouxe para 13,6% em abril de 2017. Em maio o índice caiu para 13,3%.

Tudo somado, o que se vê é uma estabilização da economia. Enquanto o país se afunda mais e mais na crise institucional, a economia encontra alguma sustentação e ameaça se recuperar. Se as reformas estruturais em discussão no Congresso (trabalhista, previdenciária, etc) forem aprovadas, o país não demorará a recuperar a capacidade de crescer.

Mas mesmo sem reformas, todos os empresários rotineiramente ouvidos pela D.D Ambrosetti tem sido unânimes em dizer que o governo federal fez tanta coisa errada nos últimos anos, e perdeu tanto de sua credibilidade nos últimos tempos, que a sociedade e as empresas não tem outra opção a não ser tocar suas vidas daqui para diante de forma mais independente, assumindo o protagonismo e se isolando cada vez mais do governo. Brasilia, que sempre foi uma ilha de fantasia, está se tornando um arquipélago político e gerencial pulverizado, enfraquecido e desnorteado, abrindo o caminho para um maior federalismo. O complexo e fundamental tema do federalismo será abordado em nosso próximo artigo.

A D.D Consultoria é uma empresa com 22 anos de existência. Nossa carteira de clientes inclui empresas de médio e grande portes. Somos associados ao quarto mais importante Think Tank Europeu, a  The European House – Ambrosetti (www.ambrosetti.eu). Através da Ambrosetti oferecemos suporte consultivo no mundo todo além de um vasto portfolio de serviços em educação executiva, eventos corporativos e projetos a governo e empresas privadas. Consulte-nos em contato@dpontod.com.br

 

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado em 05/07/2017 por em Economia, Recessão, Tendências, Uncategorized.

Navegação

%d blogueiros gostam disto: